O Piauí está se preparando para a reforma tributária que prevê a mudança para o IBS, com competência compartilhada entre estado e municípios e gestão integrada por meio de um comitê gestor. Emílio Joaquim de Oliveira Júnior, secretário da Fazenda do estado desde 2023, afirma que a tendência é de benefício para o Piauí no médio a longo prazo, mesmo que haja impacto inicial ligeiramente negativo. A expectativa é de que, a partir de 2030, o IBS se torne mais significativo e que a extinção do ICMS leve resultados positivos para a economia regional. O estado trabalha para reduzir inseguranças jurídicas e compatibilizar os sistemas atuais com o novo modelo, mantendo a atuação pública de maneira contínua durante a transição de 7 anos.

Entre as medidas apontadas pela Sefaz estão o cashback, que devolverá parte do imposto arrecadado sobre serviços e itens essenciais como energia, água, gás e telecomunicações às famílias mais pobres; estímulo à agropecuária associada à reforma; e ganhos de investimento público oriundos da tributação no destino. A expectativa é que a população tenha maior renda disponível e consumo, gerando impactos positivos para toda a cadeia econômica do estado.

O Piauí já avançou na adequação da Constituição Estadual para incorporar o IBS e CBS, com competências definidas e gestão integrada. Ajustes também foram feitos no ITCMD, IPVA e na Contribuição para o Custeio do Serviço de Iluminação Pública, alinhando-os às diretrizes federais. O IPVA passa a permitir alíquotas diferenciadas conforme tipo de veículo, valor, uso e impacto ambiental. Essas mudanças buscam proporcionar segurança jurídica para contribuintes, órgãos e municípios.

Alguns pontos ainda dependem de regulamentação, como o Imposto Seletivo, o Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional e a segunda versão do regulamento do IBS. O governo estadual considera o ritmo de regulamentação adequado e destaca que a transição exige equilíbrio entre os dois sistemas por sete anos, sem abandonar processos atuais. A Sefaz mantém um plano estratégico até 2026, com capacitação de servidores, melhoria de sistemas e projetos de infraestrutura como o Porto do Piauí em Luís Correia, voltado a reduzir custos logísticos e aumentar a competitividade das empresas locais.

O estado também trabalha com cooperação técnica com a APPM (Associação Piauiense de Municípios) para suporte aos municípios e mantém o diálogo com diversas entidades para alinhamento de pontos relevantes. Desde 2025, o projeto Dialogando Sobre a Reforma Tributária reúne empresários, contadores e outros interessados para debater diretrizes, obrigações acessórias e temas ligados à reforma, com foco na implementação gradual até dezembro. Um portal específico, o IBS Piauí, compõe o conjunto de informações para a população sobre impactos da reforma.