O último trimestre do ano costuma ser um teste de estresse para o capital de giro. As saídas de caixa se acumulam com o pagamento do 13º salário, férias, bonificações e festas de fim de ano. A recomendação é projetar o fluxo de caixa semanal até a segunda quinzena de janeiro e manter as festas dentro do que o caixa permite, sem comprometer obrigações fiscais e trabalhistas. Evitar linhas de crédito emergenciais é crucial para não corroer a rentabilidade.
A reforma tributária está em fase de testes neste ano de 2026, com a cobrança simbólica de 0,9% da CBS e 0,1% do IBS. A curto prazo, o impacto operacional é relevante: as empresas precisam adaptar seus sistemas ERP, procedimentos internos e equipes para lidar com as novas obrigações acessórias. Além disso, a formação de preços de venda e a análise de contratos de longo prazo passam a depender de uma visão clara sobre a transição tributária. A mensagem é clara: a reforma não é apenas assunto do contador, é uma mudança estrutural no modelo de negócios. Quem alinhar tecnologia e processos nesse período terá vantagem de compliance e precificação no próximo ano.
O planejamento orçamentário deve traduzir a estratégia da empresa em números. Nos últimos meses do ano, é essencial comparar o realizado com o orçado e revisar gastos, margens e investimentos. Ao projetar o orçamento de 2027, recomenda-se conservadorismo nas receitas e rigor nas despesas, levando em conta inflação, reajustes de contratos e a nova carga tributária por setor. Cenários de sensibilidade e gatilhos de contingenciamento ajudam a mitigar riscos.
Para varejo e indústria, o quarto trimestre é o auge de faturamento, impulsionado por Black Friday e Natal. Ainda assim, vender muito não é garantia de lucratividade; é necessário gerenciar bem o estoque e o capital de giro. Produtos de giro lento ocupam dinheiro que pode faltar na folha de dezembro. Recomenda-se priorizar itens de alto giro e boa margem, liquidando o restante com campanhas agressivas, transformando estoque obsoleto em caixa. O objetivo é abandonar a gestão por intuição e adotar uma visão baseada em dados, com contigência para obrigações trabalhistas e a Reforma Tributária.
A nota do autor enfatiza que o ano só termina em 31 de dezembro, mas o sucesso do próximo depende do que for feito agora. A transição tributária exige que as empresas estejam preparadas para novos custos, obrigações e práticas de precificação. A matéria é apresentada como orientação prática para gestores e equipes financeiras, com foco em resultados reais e não como aconselhamento jurídico, contábil ou fiscal específico.





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