A CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) será cobrada a partir de 1º de janeiro de 2027, com o fim do PIS e da Cofins. O que ainda não está pronto tende a ficar para depois, conforme histórico de fases anteriores da reforma do consumo. O Portal da Reforma Tributária indicou que a versão pública do texto deve ficar para novembro, após as eleições, e que equipes de tecnologia enfrentam um prazo de cerca de um mês para ajustes. Há preocupação com itens em aberto, como diversas notas técnicas e leiautes que dependem de novas regras.

Entre as mudanças já em prática, a maior parte dos documentos fiscais eletrônicos (NFe, NFCe, NFSe) deverá adaptar-se ao IBS/CBS, com regras de negócio e indicadores de operação publicados para apoiar as operações. À escala do negócio, isso exige que empresas revisem fluxos de cobrança e tributação, especialmente para quem tem múltiplos regimes. O governo informou que a NFSe e eventos de tabela da DeRE passaram a destacar IBS/CBS a partir de 1º de outubro de 2026.

O Imposto Seletivo (IS) tem as alíquotas previstas para ser publicado via medida provisória apenas após as eleições. O atraso impede que empresas estimem com clareza o valor a pagar a partir de 2027 e reduz o tempo de adaptação. O Seletivo incidirá sobre bens e serviços considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente, seguindo a regra da noventena (início após 90 dias da publicação).

O split payment não começa em 2027 de forma plena. Há fase piloto prevista para 15 de outubro de 2026, mas a obrigatoriedade para o público geral fica para 2028. O mecanismo separa automaticamente tributos no pagamento, transferindo-os ao governo sem passar pelo caixa da empresa, o que pode reduzir caixa corrente, porém aumenta a velocidade de geração de créditos entre empresas.

Mercado e adoção: dados de tecnologia apontam que 42% das grandes empresas já adaptaram seus sistemas, enquanto cerca de 34% de médias/grandes empresas ainda não projetaram impactos de fluxo de caixa. Aproximadamente 1 milhão de empresas no Simples Nacional já optaram pelo regime híbrido de CBS/IBS para 2026, o que indica uma migração em massa que pode se intensificar com as janelas de migração de 2027. Continue atento às alterações de prazos de opção pelo Simples Nacional e possíveis ajustes na alíquota da CBS até 2026.

Aspectos políticos e eleitorais também podem influenciar o ritmo da reforma. Diferentes planos de governo defendem revisões na tributação do consumo, com efeitos diretos para empresas que se enquadram no IBS/CBS, no IS e no split payment. Na prática, micro, pequenas e médias empresas devem preparar seus times de compliance fiscal, TI e financeiro para cenários de ajustes de alíquotas, leiautes e prazos de implementação.