Quem decide trancado na sala economiza tempo e compra risco. Essa ideia norteia a abordagem de Luciano Barboza, CEO da IPEL, que lidera uma indústria de papel tissue com atuação nacional e internacional. Em conversa com a reportagem, ele defende combinar caixa, escuta e visão de futuro para fundamentar decisões importantes.
O primeiro filtro é o caixa: toda decisão relevante precisa demonstrar impacto financeiro nos próximos doze meses. O segundo é a visão de futuro: entender como a ação pode melhorar a posição competitiva nos próximos cinco anos. Dados de o que ocorreu ajudam, mas não devem ditar o caminho; é preciso considerar o cenário atual e o que pode acontecer no mercado.
Barboza aponta que decisões rápidas podem ocorrer em contextos de alta complexidade e que líderes não devem agir sozinhos. Ouvir diretores, equipes de fábrica e clientes reduz pontos cegos. A competência de gestão de pessoas aparece como elemento-chave: a participação coletiva aumenta a qualidade da decisão e o engajamento na execução.
Outra lição é a ideia de agente de mudança: manter o olho na estratégia enquanto o operacional puxa o dia a dia. Planejar para transformar, em vez de apenas sobreviver, exige classificar oportunidades entre aquelas que podem ser lideradas pela empresa e aquelas que a companhia pode seguir com parceiros ou contextos externos. A gestão de mudanças também demanda coragem para seguir caminhos alinhados à estratégia, mesmo diante de tensões de curto prazo.
Modelos de governança que valorizam escuta e planejamento de médio prazo ajudam a evitar a armadilha de decisões baseadas apenas em dados históricos. Metodologias como OKRs são citadas como forma de traduzir a visão de futuro em decisões trimestrais verificáveis, em vez de planos anuais que não são revisitados.
A mensagem central é simples: dados tendem a refletir o passado; o verdadeiro valor está em manter o caixa como filtro presente, ouvir o que acontece no dia a dia e planejar o futuro. Essa tríade ajuda pequenas e médias empresas a tomar melhores decisões com maior probabilidade de sustentar crescimento e reduzir riscos.





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