A reforma tributária impõe uma mudança de paradigma: não basta calcular o tributo, é preciso que a operação inteira sustente esse cálculo com dados consistentes. Os documentos fiscais, registros financeiros, dados do ERP e informações governamentais passam a coexistir em um ecossistema integrado, exigindo transparência, rastreabilidade e explicabilidade.
O risco fiscal migra de uma interpretação isolada da legislação para a divergência entre dados das diferentes fontes. Hoje, a liderança financeira precisa acompanhar um fluxo contínuo de validações, não apenas o fechamento mensal. A governança dos dados se torna central: cruzar informações, identificar inconsistências e transformar divergências em conhecimento acionável.
Essa mudança eleva a função tributária de um área de compliance para um pilar de governança e inteligência para o negócio. Pequenos problemas cadastrais, classificações imprecisas ou eventos não capturados podem gerar impactos financeiros significativos ao longo da cadeia. A solução passa pela integração de qualidade cadastral, reconciliação contínua, gestão de eventos e controle de créditos, com suporte de automação, analytics e IA. Contudo, tecnologia sozinha não resolve; é necessário redesenhar o modelo operacional e a governança para manter consistência, rastreabilidade e transparência em toda a operação.
O resultado esperado é uma visão holística do tributo, onde a apuração é uma narrativa de dados explicável, alinhada com a realidade econômica da empresa. Organizações que encararem a reforma como uma oportunidade estrutural podem transformar a função tributária em um pilar estratégico de governança e inteligência.
Fonte: Giovanni Schiavone, Sócio Líder em Tecnologia e Transformação Tributária da EY Brasil; o foco é promover o debate sobre temas relevantes para o país, sem representar aconselhamento específico.





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