O prazo para as empresas do Simples Nacional decidirem como pagar o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) no primeiro semestre de 2027 termina nesta sexta-feira (30). A escolha é entre permanecer no modelo puro, com os tributos recolhidos dentro do DAS, ou adotar o modelo híbrido, mantendo os demais tributos no Simples e apurando IBS e CBS pelas regras do regime regular. A decisão envolve incerteza sobre alíquotas, mas especialistas destacam que o essencial é entender a posição da empresa na cadeia de negócios, não apenas a taxa. A entrada ou retorno ao Simples Nacional encerrou em 15 de outubro; até 30 de outubro permanece aberta apenas a opção de recolhimento com regime regular a partir de 2027. Quem optar pelo regime regular ganha prazos adicionais para aprofundar estudos, com possibilidade de cancelamento entre 3 de novembro e 20 de dezembro. Quem permanecer no Simples puro pode ter que esperar a próxima janela em 2027 para mudar.

Antes de decidir, analise o perfil de clientes: empresas que atendem a consumidores finais costumam se beneficiar ficando no Simples puro; aquelas que vendem para outras empresas podem valorizar créditos tributários do regime regular. O crédito de IBS e CBS depende de parcelas elegíveis de compras, e a folha de pagamento não gera créditos, o que torna o híbrido menos atrativo para negócios intensivos em mão de obra, como clínicas e serviços pessoais. Indústrias, distribuidores e fornecedores corporativos costumam ter maior potencial de créditos, favorecendo o híbrido, mas a decisão deve considerar margens, contratos e capacidade de repassar custos.

A recomendação é baseada em dados dos últimos 12 meses: faturamento por tipo de cliente, participação de vendas para pessoas físicas, empresas do Simples e regime regular, compras entre regimes, despesas com créditos, peso da folha, margens, e capacidade de repasse de custos. Além disso, verifique se a estrutura administrativa e tecnológica está preparada para o híbrido.

Simulações são encorajadas, com pelo menos três cenários (base, conservador e otimista). Embora ainda não haja definição final sobre a CBS, parâmetros atuais indicam que a CBS terá peso maior nos primeiros anos, com IBS em 0,1% em 2027 e 2028. Ajustes nas simulações devem considerar fluxo de caixa, capital de giro, preços e rentabilidade, não apenas a alíquota.

Por fim, converse com seus principais clientes. Se houver intenção de considerar créditos tributários na compra, isso pode alterar fortemente a análise. Empresas podem transferir créditos relevantes aos clientes, mudando condições competitivas.