O empreendedor Edgard Corona, fundador da Smart Fit, destacou durante palestra no G4 Valley que a capacidade de identificar mudanças no comportamento dos consumidores e adaptar o modelo de negócios antes de perder espaço para a concorrência foi um dos principais fatores que levaram à transformação de uma rede de academias criada há 30 anos no maior grupo de fitness da América Latina.

Corona afirmou que o empresário precisa sempre estar atento e pronto para mexer no seu negócio quando for necessário. Essa recomendação resume uma estratégia que começou em 1996, quando fundou a Bio Ritmo, e ganhou força à medida que o mercado de academias passava por transformações.

Ao perceber que uma parcela crescente dos consumidores buscava academias mais acessíveis e serviços funcionais, Corona decidiu apostar em um novo modelo. Em 2009, nasceu a Smart Fit, rede que ampliou o acesso às academias e se tornou o principal motor de expansão do grupo. Dez anos depois, em 2019, a estratégia de diversificação avançou com a criação da TotalPass, plataforma de benefícios corporativos que permite aos trabalhadores acessar academias e outros serviços de bem-estar.

Ao final de 2025, o grupo reunia 34 unidades da Bio Ritmo e 2.048 academias Smart Fit espalhadas pelo mundo. Por meio da TotalPass, sua atuação alcançava mais de 49 mil academias parceiras.

Para Corona, entretanto, identificar uma oportunidade de mercado não é suficiente para garantir o sucesso de um empreendimento. É necessário transformar a ideia em um projeto consistente, com objetivos claros e responsabilidades definidas. Segundo ele, todo o projeto precisa responder três perguntas: para quem eu vou fazer isso; quem vai fazer, e o que vai fazer.

Na avaliação do empresário, outro elemento essencial é a disposição para aprender continuamente. Isso inclui buscar conhecimento em livros, acompanhar concorrentes e observar experiências de empresas de outros países. O objetivo não é apenas reproduzir modelos bem-sucedidos, mas compreender as tendências que podem transformar o setor e antecipar mudanças no comportamento dos consumidores.

A expansão de uma empresa também depende, segundo Corona, de um modelo de gestão capaz de acompanhar seu crescimento. À medida que o negócio ganha escala, concentrar todas as decisões na liderança pode comprometer a agilidade e reduzir o envolvimento dos profissionais com os resultados. Por isso, o empresário defende uma gestão consistente, com participação das equipes nas decisões e maior autonomia para os colaboradores.

"Sobreviver, crescer e perpetuar não se faz controlando tudo do topo, mas garantindo que cada um aja como se fosse o dono", afirmou Corona.