A China avança com metas oficiais para ampliar o uso de agentes de IA no comércio e na indústria. Em agosto de 2025, o Conselho de Estado publicou diretriz com o objetivo de alcançar, até 2027, mais de 70% de penetração de terminais inteligentes e agentes de IA, e até 2030 mais de 90%. Ainda sem medição oficial pública, observa-se ação prática no varejo e na indústria.

No comércio, a mudança é significativa: agentes de IA passam a escolher produtos, comparar opções, realizar provas virtuais, monitorar histórico de preços e concluir compras. O pagamento é feito por meio de plataformas de pagamento existentes. O Alibaba já conectou seu assistente Qwen a todo o catálogo do Taobao e do Tmall, envolvendo mais de 4 bilhões de produtos. O agente funciona como interface e executor das transações do consumidor, reduzindo a importância da vitrine tradicional e das campanhas de anúncios em favor de recomendações automatizadas pela máquina.

Observadores apontam que a adoção de IA pode levar a quedas de tráfego em lojas virtuais, à medida que consumidores passam a comprar dentro de apps com IA integrada. Entretanto, a tendência é impulsionar a eficiência, com potencial de aumento de conversões em ambientes impulsionados por dados. Grandes ecossistemas de IA tendem a direcionar o consumidor para parceiros integrados, o que levanta preocupações sobre menos opções para o consumidor e maior dependência de plataformas.

Para o Brasil, o artigo destaca que o país já tem infraestrutura de pagamentos instantâneos e clientes familiarizados com compras por canal direto, como WhatsApp e Pix. A diferença crítica é a camada de agentes que orquestram a experiência de compra. A expectativa é que o modelo, bem implementado na China, sirva de preparação para adaptação brasileira, com impactos potenciais em gestão de canais, negociação com fornecedores, atendimento e experiência do cliente.

O texto cita estimativas de impacto global de até US$ 5 trilhões em vendas até 2030 caso transações sejam conduzidas por agentes de IA, reforçando a necessidade de as empresas nacionais acompanharem o ritmo de transformação para manter competitividade. A leitura indica que o caminho passa por entender desde agora como a IA pode reorganizar a jornada de compra e quais ajustes são necessários para operações locais, sem confundir esse movimento com aconselhamento jurídico ou contábil específico para cada negócio.